Meu intercâmbio na Irlanda – Como os Irlandeses lidam com o dinheiro?

Quem acompanha o blog sabe que fiz intercâmbio na Irlanda, Dublin. Comecei a rever e relembrar alguns fator que vou compartilhar aqui. Coisas que vivenciei desde a tomada do primeiro orçamento com uma agência, até meu retorno quase 1 ano depois. A primeira e bem marcante para foi notar como os Irlandeses lidavam com o dinheiro…

Na minha vida de intercambista por vários meses fiquei com a conta completamente zerada, chegando à situação de controlar os centavos, até a quantidade ônibus que pegamos (ou deixar de pegar ônibus e ir a pé).

Como eu vivi com irlandeses no meu intercâmbio, pude entender como eles viam e lidavam com o dinheiro que tinham. Mesmo com uma relação um pouco distante, algumas atitudes foram marcantes para mim, chegando ao ponto de que eu e o Edu (do E-Dublin) apelidamos nosso flatmat de Pai (foto abaixo)!

E veja só se não foi merecido… Eis a história do “Pai Irlandês”!

Logo que nos mudamos para a casa, haviam dois computadores no chão, quebrados. Certo dia o Edu resolveu perguntar se eles funcionavam. O Pai,  que era técnico em informática, começou a mexer no computador e descobriu que nada poderia ser feito com ele.

Cerca de uma semana depois, ele chega em casa com um computador novo, top de linha! Ele instalou tudo e deixou lá para que usássemos. O detalhe é que ele mal usou o computador, já que ele tinha um notebook – sério se ele tiver usado aquele deskop 10 vezes nos 10 meses que morei com ele, foi muito. O computador TOP de linha foi praticamente um presente pra nós e um investimento sem uso pra ele.

Meses depois, chegando o inverno, descobrimos que por conta das pilantragens de um antigo flatmate, o gás havia sido cortado. Isso significa que estávamos sem aquecedor para o inverno (considerando que a temperatura chegaria a Zero, isso era uma noticia bem preocupante).

Ele fez algumas ligações pra o Board Gas (empresa fornecedora do gás) e algum tempo depois tínhamos gás em nossa casa novamente. Nunca ficamos sabendo como ele havia reativado, até que um dia, estávamos em uma festinha na casa do vizinho e ele contou: ele pagou 600 euros que estavam atrasados para que o gás voltasse a funcionar.

E o melhor foi…

Ele contou isso meses depois, nunca cobrou um centavo por causa disso… Se não fosse ele, ficaríamos sem gás, porque era a época mais dura que passei por lá. Além disso, sabendo da nossa limitação financeira, ele nunca cobrou várias coisas que comprou para casa e que usávamos bastante: garrafa térmica, ferro de passar etc.

Não quero dizer que todos são assim, existem também os pilantras (assim como o tal do flatmate que nunca pagou as contas de gás). Mas pelo que percebi dos irlandeses que conheci, uma grande parte realmente é assim. Podemos justificar isso com o fato de que eles tem uma vida mais bem estrutura e poucos tem que realmente contar os centavos no final do mês (como muitos brasileiros que estão na Irlanda ou intercambistas em geral em qualquer país).

No Brasil, na verdade, por conta da nossa dificuldade financeira, colocamos o dinheiro como um bem mais importante do que realmente é. Nosso sentimento com a falta de dinheiro, o desemprego etc. são muito mais intensos por conta do histórico e da condição social do nosso país. Este tipo de convivência e aprendizados que tenho em viagens é o que me faz sempre querer continuar com o pé na estrada!

Eu e o Nial, meu Housemate Irlandês, no Intercâmbio em Dublin.
Eu e o papai Nial, meu Housemate Irlandês, no Intercâmbio em Dublin.

 

Homero Carmona

Blogueiro desde 2008, ano em que fez seu primeiro intercâmbio e começou a viajar por aí! Atualmente coleciona mais de 40 países no seu passaporte e sonha conhecer todos os 200 e poucos por este mudão a fora... Seu hobby é fazer com que mais gente viaje, todo dia, cada dia mais!

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