A alegria de viajar com a mãe! E com a sogra…

Viajar com a mãe, ou com o pai, em determinada fase da vida é sinônimo de chatice. Principalmente quando você acabou de sair da adolescência e tudo que você quer é liberdade… Foi assim para mim pelo menos, e acredito que seja assim para muita gente também.

Fora viagens de família, foi a primeira vez que a viajei com a minha mãe para um lugar novo. E foi um aprendizado só, do planejamento até o retorno…

Planejando a excursão

Bom, eu e minha esposa já tínhamos comprado as passagens para Natal quando decidimos fazer uma “excursão” com nossas queridas “velhinhas” (elas vão ficar bravas de ler isso hehe). Fomos eu, minha esposa, nossas mães e a tia da minha esposa.

A primeira coisa foi pensar no público e ver as atividades em função das limitações e gostos. Neste cenário, a minha mãe era a pessoa mais velha (68 anos), com maiores limitações e posso dizer, mais chata, hehehe…

Neste sentido avaliamos os passeios e encontramos aqueles que seriam mais adequados. Com uma pessoa com problema de dor nas costas e nos joelhos, fazer passeio de bugue e caminhar nas dunas não era uma opção, por exemplo.

O segundo passo foi criar um cenário favorável, afinal, sabíamos que ela iria encontrar problemas para negar o convite, então precisamos estar preparados para convencê-la com bons argumentos. Você vai entender isso um pouquinho mais adiante.

A turma da excursão no Pé do maior cajueiro do mundo, Natal
A turma da excursão no Pé do maior cajueiro do mundo, Natal

As preocupações dela…

Bom, a primeira preocupação da minha mãe foi: “Ah, mas eu vou incomodar”. Nada que eu não soubesse que ela ia falar. A segunda foi que ela não seria uma companhia agradável, por conta das limitações físicas. Por fim, disse que não gostava de praia. Esse último é verdade, praia nunca foi o destino favorito dela.

O que ela não estava ainda levando em conta, é que quando decidimos chamá-las, já estávamos mudando completamente o tipo de passeio. Ou seja, não era mais um passeio de casal, era um passeio de família, com idosas. E tudo foi pensando nela… O roteiro e a decisão de chamar mais outras idosas, afinal, conheço minha mãe… Se fosse só ela, primeiro que talvez não aceitaria, segundo que com certeza se sentiria atrapalhando o tempo todo.

Enfim…

O processo de convencimento

Na verdade, a primeira premissa é que era um convite. Ou seja, eu não queria forçar ninguém a nada, mas como eu sabia que ela ia colocar empecilhos, se eu convidasse a esmo, não daria certo.

Tinha uma parte das desculpas dela que não faziam sentido, tipo coisas de casa, dinheiro etc. Eram desculpas esfarrapadas e não reais.

A parte de ela não gostar de praia, era um fato importante, então o argumento tinha que ser a companhia. Então quando pensei em chamá-la, de cara veio a ideia de chamar minha sogra e a tia da minha esposa, pois as três já se conheciam, se gostavam e são daquele tipo de que gosta de todo mundo sabe?  Ou seja, não tinha como dar errado.

O último passo do convencimento era dar um prazo… Se deixasse, ela ia ficar postergando, postergando até ficar inviável, seja pelo preço da passagem, seja para as reservas.

A trupe no chapadão, minha mãe no meio, no Chapadão de Pipa, RN

As reais limitações e os erros

O grande acerto foi fazer um “grupinho” de senhoras, que se curtiram a valer!!! Mas houveram alguns erros importantes. Sou obrigado até a fazer uma lista 🙁

1 ) Quando compramos a passagem de ida, o plano ainda era ir só eu e minha esposa. Por isso, compramos um voo que saia de Guarulhos as 00:30, chegando em Natal quase 4 da manhã. Para nós, já seria ruim. Para minha mãe foi bem bem pior. O primeiro dia, acordamos 9:30, depois de uma noite bem cansativa e ainda viajamos até Pipa. Quando chegamos ao destino final próximo às 13h, ela estava muito cansada e pouco aproveitou o primeiro dia. As outras duas, mais dispostas, ainda aproveitaram um pouco, mas logo também cansaram.

2 ) Um dos argumentos com a minha mãe na ida, foi que ela disse “Homero, se eu não quiser ou não der conta de algum passeio, não insista.” E assim combinamos, fazia sentido afinal. No nosso primeiro passeio que era uma “trilha” bem tranquila, ela não se sentiu a vontade e preferiu nos esperar. Fizemos o passeio de pouco mais de 1h e depois voltamos para continuar com ela. Conheço minha mãe, sei que não ficou triste, chateada, nem nada. Foi o combinado e, para mim, é o razoável em tudo na vida.

3 ) Alugar um carro foi certamente uma decisão acertada, fui de chofer da excursão. Aluguei uma SUV compacta, um AirCross, com a expectativa de ser um carro mais espaçoso. A mulherada ficou mais apertada que no meu Etios Hatch. Enfim, devia ter pesquisado melhor. Paguei “caro” pelo carro” e ainda passamos “aperto”. Nada grave, mas poderia ter evitado.

4 ) O planejamento inicial da viagem, foi baseado na disponibilidade minha e da minha esposa. Ou seja, escolhemos um feriado. Tudo muito cheio… Se tivéssemos nos planejado diferente, talvez escolhêssemos um lugar mais tranquilo ou uma data melhor para elas.

A recompensa final de viajar com a mãe

Mamãe pega eu no colo aqui no Chapadão de Pipa

No meio de tanta preocupação do lado dela e de algumas limitações reais, eu estava com receio de que ela de fato aproveitasse. Conhecendo ela, sabia que talvez ela ficasse “tensa” pensando sempre que estava incomodando, atrasando etc, etc.

O que vi, de fato, foi ela feliz e tranquila… O acordado não saiu caro para ninguém, quando ela não quis, não foi, e tudo bem. Quando quis, foi e se sentiu a vontade.

Mas para mim, a grande alegria, a grande recompensa, foi de realmente vê-las genuinamente felizes aproveitando a companhia, sentindo até emoção na voz quando a minha mãe relatou:

Nossa, ontem a noite a gente se divertiu. Nós 3 (senhoras) ficamos conversando com a luz apagada um tempão. Demos boa noite umas 4 vezes. Me lembrou, as noites no quarto com as minhas irmãs…

Pronto, não precisava de mais nada =ó)

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

#homesweethome #lardocelar

Uma publicação compartilhada por Intercâmbio & Viagem (@intercambioeviagem) em

Homero Carmona

Blogueiro desde 2008, ano em que fez seu primeiro intercâmbio e começou a viajar por aí! Atualmente coleciona mais de 40 países no seu passaporte e sonha conhecer todos os 200 e poucos por este mudão a fora... Seu hobby é fazer com que mais gente viaje, todo dia, cada dia mais!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *