Pilantragens Cubanas – Cuidados para se tomar em Cuba

Cuba é uma país pobre, porém muito seguro, por isso não precisa se preocupar com violência ou assaltos. Porém, todos vivem apenas com o básico e as vezes resolvem dar um jeitinho para conseguir um dinheirinho extra.

Muitos falam que Cuba é um lugar seguro e os cubanos gostam de lembrar isso o tempo todo. Porém, o “jeitinho cubano” é muito presente. Não é uma desculpa, mas para mim, a explicação reside em dois fatos relativos à vida no país de Fidel: baixíssimo salário e o valor da moeda para turista valer 25x mais que a moeda nacional (1 CUC = 25 CUP). Os cuidados para se tomar em Cuba, com as pilantragens, normalmente não são para te tirar graaaandes quantidades de dinheiro… Até porque, um pouco de dinheiro para você, é um montão para eles – salário minimo deles é US$ 10/mês.

Pilantragem #1 – Feira de Charutos em Havana

Existe um lugar atrás de uma antiga fábrica onde várias pessoas vendem charutos. Teoricamente originais, mas potencialmente roubados ou algo do tipo. Essa feira de charutos fica ativa todo o tempo.

Por três ou quatro vezes fui abordado por cubanos na rua e me falaram desta feira. Em duas delas, falaram que a feira era mensal, por metade do preço e que já estava na hora de fechar. As pessoas se oferecem para ir juntas, pois dizem que comprando juntos, vão ter desconto.

No fim das contas, a história é a seguinte: see você comprar, o cara que te levou vai ganhar uma comissão.

Fumando um original charuto Cubano com vista de Havana
Fumando um original charuto Cubano com vista de Havana

Pilantragem #2 – Informação sobre restaurantes

Depois de perguntar duas ou três vezes por informações de restaurantes, desisti. Normalmente vão tentar te levar a algum que eles conheçam e tenham também uma comissão. Em uma das vezes, o cara foi explicito para mim falando que ganharia a comissão.

Mas se ele falou a regra do jogo, qual foi a pilantragem neste caso?

Ele mentiu sobre o restaurante.

Ele disse que o restaurante que eu buscava (San Cristóbal, em Havan) era 2x mais caro o que ele iria indicar, que seria 20 CUC / pessoa (aprox. US$ 20). Acabei indo no restaurante que eu queria e paguei 20 CUC / pessoa. BTW, não fui em nenhum restaurante em que gastei mais de 20 e poucos / pessoa.

A moral da história aqui é: sempre tenha cuidado com as indicações que receber de um cubano na rua. Principalmente se ele disser que vai te acompannhar.

Garçom servindi prato no Restaurante San Cistrobal em Havana, Cuba
Garçom servindi prato no Restaurante San Cistrobal em Havana, Cuba

Pilantragem #3 – Cadê meu troco?

Daria dividir este tópico em alguns, mas vamos direto ao que interessa….

O que eu ouvi muito (mas não sofri), foi receber o troco em pesos cubanos (ou seja, CUP), em vez de CUC. Dizem que fazem isso principalmente quando o troco requer várias notas. Lembre-se, um CUC é o mesmo que 25 CUP. Você, como turista, não pode usar CUP.

A outra forma é simplesmente “esquecerem”. Escrevo isso na Playa Anchon, em Trinidad e aconteceu comigo há pouco. Paguei as cadeiras de praia (2 CUC por cadeira) com uma nota de 5. 30 min depois, precisei ir atrás do cuidador para pegar meu troco.

Pilantragem #4 – Cadê a gasolina? Tá no posto aí atrás.

Os postos normalmente normalmente são self-service, similar aos EUA. Você vai até o caixa, paga e o frentista libera a bomba com o valor pago. No meu caso, sempre enchi, aí o processo muda: você avisa que vai encher, ele te fala a bomba, você enche e volta lá para pagar.

Tudo funcionou bem até um dia em Cienfuegos….

Avisei o rapaz do caixa e ele disse “ok, espere que vou te ajudar…” Estranho, mas como era só a terceira ou quarta vez que estava enchendo, não me gerou desconfiança. Ele pediu também para eu mudar de bomba… Também não estranhei…

Ele pegou o bico e foi encher equanto conversava comigo. Era a vez que meu tanque estava mais vazio, já na reserva… Quando o bico parou, a bomba, marcava 49 CUC. Cada litro de gasolina custa 1,2 CUC, fez sentido para mim, já que um tanque de carro médio tem 40 – 50 litros.

Paguei e saí… Pouco depois notei que o tanque estava faltando ainda 1/8.

Qual foi a mágica?

Eu suponho que foram 3 coisas:

  1. Aquela bomba para qual ele me mandou, tinha acabado de ser usada e certamente não foi zerada. Ou seja, eu paguei por alguns litros do carro anterior, mais o meu tanque.
  2. Ele limitou a bomba em 49 CUC. Sabendo que este seria um limite para um tanque daquele tipo de carro.
  3. Ele pegou um bico em que o marcador estava virado para o outro lado, onde eu não conseguia ver. Ou seja, ele mandou eu mudar especificamente para um bomba que já tinha rodado o marcador e ele pudesse esconder isso.

E claro, teve a minha desatenção de não checar se estava cheio antes de sair do posto.

Moral desta história…. Se alguém se propuser a por a gasolina para você, estranhe.

Abastecendo o carro em Cuba
Abastecendo o carro em Cuba

Pilantragem #5 – Mas e o quarto que eu tinha reservado?

Sim, eles fazem overbooking e a dona da casa que fiquei Viñales falou com todas as letras. Mas explicando o caso, para facilitar.

Cheguei por volta das 15h em Viñales para fazer o check-in na casa que reservei através do HostelWorld. A primeira surpresinha foi chegar ao endereço cadastrado no site e descobrir que não era lá, e sim umas 3 quadras mais distante do centro.

Até aí, sem muito estresse, conseguimos chegar no endereço “correto”.

PORÉM, o quarto estava ocupado…

COMO ASSIM???

A dona falou que as americanas que estavam lá, tinham esquecido o passaporte em Havana e fariam check-out…. MAS, elas estavam almoçando. Ou seja, o quarto que reservei com quase 2 meses de antecedência estava ocupado.

Mais tarde, a dona tentou explicar dizendo o seguinte:

– Ah, eu recebi uma indicação da minha amiga de Havana, então eu sabia que podia confiar nas americanas… É diferente de alguém que reservou pela internet, que a gente não sabe quem é, né?

Incrédulo, só ouvia… E ela continuou…

– É normal a gente reservar mais de uma pessoa para o mesmo quarto. Até porque, eu tenho família que tem quartos disponíveis, muito similares ao meu.

Nos comentários do Hostelworld eu realmente vi que isso acontecia bastante e busquei um que não tivesse nenhum relato neste sentido.

Fui fazer um ou dois passeios e na volta as americanas sem passaporte já tinham ido embora.

Moral da história neste caso é: Cuba é um lugarzinho a parte deste mundo – eles mesmo enfatizam isso. Se algo deste tipo acontecer contigo na casa que reservou, releve e relaxe. Fato é que quase decidi ir para outra casa, isso também seria uma opção. Tem muita casa, muita mesmo licenciada para receber turista, porém, poucas estão cadastrados no HW, AirB&B etc.

Por fim…

Cuba é mesmo um lugar seguro e este tipo de situação é bom estar atento para não entrar em roubadas. Porém, na maioria dos casos, o valor que vão te “arrancar”, não é nada que mude sua vida em relação ao custo total da viagem à Cuba.

Entre outros cuidados para se tomar em Cuba, está o assalto a pneus caso vá alugar um carro. Todos donos de hotel e casa de família falaram isso, e realmente vi carros sem pneu estacionados por aí. Vale ficar atento.

Turistas relaxando nas praias do Resort em Cayo Coco, Cuba
Turistas relaxando nas praias do Resort em Cayo Coco, Cuba

Homero Carmona

Blogueiro desde 2008, ano em que fez seu primeiro intercâmbio e começou a viajar por aí! Atualmente coleciona mais de 40 países no seu passaporte e sonha conhecer todos os 200 e poucos por este mudão a fora... Seu hobby é fazer com que mais gente viaje, todo dia, cada dia mais!

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